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Doação de Órgãos  

A doação de órgãos agora é lei, e está em vigor em nosso País, a Lei dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento terapêutico de pessoas que estão à espera dos mesmos, às quais dele s necessitam.

O Sistema Nacional de Transplante desenvolverá o processo de captação e distribuição dos órgãos retirados do corpo humano, que tiveram morte encefálica, em todo território nacional. Antes as pessoas tinham que formalmente doar enquanto em vida, os órgãos e partes do seu corpo, ou parentes autorizarem depois da morte. Agora, considera-se automaticamente doadora toda e qualquer pessoa que não declarar em vida em sua carteira de identidade, que não é doadora.

Integram o Sistema Nacional de transplante, o Ministério da Saúde, as Secretarias de saúde dos Estados, do Distrito Federal e órgãos equivalentes, hospitais e estabelecimentos autorizados, e redes auxiliares de saúde.

Este fato novo e até estranho para todos nós, que amamos tanto o nosso corpo, o qual é o "tabernáculo" de nossa alma ou espírito. A própria força determinativa da lei dá a entender uma falta de respeito ao se humano depois de morto, e entra na área dos nossos mais íntimos sentimentos, de que o governo, através de um de seus órgãos administrativos, terá toda a liberdade, à revelia dos parentes vivos, de retirar o que bem entendem (conforme lhes permite a lei) partes do corpo do morto.

Alem disso doadores certos de órgãos, ainda não confiam plenamente no sistema de transplante, porque vivemos em meio a tantas falcatruas, e essa poderá ser sem retorno, e assim os doadores antes de morrerem de verdade, morrem de medo, por causa de um possível "comércio" de órgãos, que poderá determinar mortes prematuras, com o fim específico de apressar a captação de órgãos do corpo humano.

Não é sem razão, que por esses motivos e possíveis riscos, muitos estão indo às Secretarias de Segurança Pública, tirando novas cédulas de identidade, expressando o seu direito de não ser doadores de órgãos.

Porém, a meu ver, a própria lei, reflete uma falta de esclarecimento quanto ao assunto, um preconceito religioso e egoísmo pessoal, não vendo as necessidades de outras pessoas.

Quanto ao esclarecimento, cabe ao Ministério da Saúde fazê-lo, o qual teve quase um ano, desde a sanção dessa lei (04/02/97).

Quanto ao preconceito religioso, deve-se esclarecer que não há nada na Bíblia contra a doação de órgãos do corpo humano, depois de morto. Primeiro, porque a Bíblia afirma que o nosso corpo se tornará em pó da terra como era (Gênesis 3.19 e Eclesiastes 12.7). Segundo, porque na ressurreição geral, todos os elementos que compõem a natureza cósmica terão que entregar a Deus o corpo humano, e o Próprio Deus transformará o corpo mortal de seus filhos em um corpo glorioso e espiritual, semelhante ao corpo de Jesus glorificado (Apocalipse 20.13; I Corintios 15.42-44; Filipenses 3.21). Terceiro, o Próprio Jesus ensinou, figurativamente que é preferível entrar na vida (céu) faltando um dos membros do corpo, do que ir para o fogo eterno (inferno) com todos os membros (Mateus 18.8).

Quanto ao egoísmo, que entra inclusive o nosso apego demasiado ao corpo, fechando toda possibilidade de doação, essa sim, contraria os princípios cristãos. Pois nós, quando fomos alcançados pela graça salvadora de vida eterna em Cristo, estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2.1) e neste aspecto, devemos aplicar um princípio dado por Cristo: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles: porque esta é a lei e os profetas"(Mateus 7.12). Se estamos numa situação de necessidade de um órgão, ou alguém de nossa família está precisando, nossa opinião de não ser um doador pode ser profundamente mudada. É um assunto a ser refletido seriamente, antes de se tomar uma decisão, para não precipitarmos!

 

Rev. Enos Dias Pereira